terça-feira, 23 de outubro de 2007

Perfumaria fina... e cara

O segmento de perfumaria fina está sempre inovando, desde o desenvolvimento de matérias-primas até a exposição do produto final nas lojas. Mas essa dedicação para conhecer e conquistar o consumidor exige investimentos pesados e caros. Lançar uma fragrância, por exemplo, é um projeto de longo prazo que envolve cientistas, químicos, perfumistas, designers, marketeiros e os “narizes” – como são chamados os diretores olfativos das marcas.

De acordo com dados da Segmenta, o faturamento (em reais) no mercado de perfumaria fina teve uma pequena variação de 2,6% em 2006 comparado ao obtido no ano anterior. Em dólar, houve queda de 4%, com vendas de US$ 300 milhões. Mas 2006 foi atípico: por causa das greves da Anvisa e da Receita Federal, houve falta de artigos nas prateleiras. A expectativa é que as vendas cresçam pelo menos dois dígitos em 2007.

Inovação – O caminho do sucesso está em inovar, mas é preciso conhecer a fundo o consumidor para garantir boas vendas. Para a diretora de Marketing e Vendas da RR Perfumes, Bárbara Kern, a inovação só ocorre quando se entende profundamente o que o consumidor busca e não se perde a identidade da marca com o público-alvo. Isso é possível por meio de pesquisas e da experiência. Por isso os narizes mais cobiçados do mundo trabalham para traduzir olfativamente as emoções e desejos do consumidor e alinhá-los ao conceito das marcas.

Conforme a perfumista da Firmenich, Andrea Gonsalez, a perfumaria fina vive momentos de simbiose entre os ativos e de fusão com aromas e ingredientes da culinária. As inúmeras possibilidades de combinação entre essas matérias-primas é que permitem despertar várias emoções a cada fragrância.

Apostas do mercado - O segmento aposta nos ativos naturais, nas novas moléculas e nas matérias-primas do segmento de aromas. Entre as madeiras, destacam-se as mais leves, como cedro, sândalo e cerejeira, e ingredientes asiáticos como chá verde e bambu também estão em alta. Voltam à cena as flores brancas (orquídea e jasmim) e a rosa. Em baixa, apenas as notas animálicas.

Perfumes femininos voltam a recorrer à família oriental, com o uso de chocolate, caramelo, doce de leite, frutas caramelizadas e baunilha - notas gustativas ligadas à sedução e à sexualidade. Entre as fragrâncias masculinas, destacam-se as notas amadeiradas, frutais e gourmand, porém não tão doces, e as flores entram com maior intensidade, tornando as fragrâncias mais aromáticas. Em ambos os segmentos, está em evidência o uso do âmbar (branco, vermelho, mineral, vegetal, néon e salgado). “É levemente doce, deixa o perfume mais redondo e aumenta o tempo de duração da fragrância”, diz Gonsalez. A lavanda também ressurge, mas em criações mais complexas.

Na opinião da perfumista, há muitos lançamentos, edições limitadas e opções de compra para todos os bolsos no Brasil. O aumento no poder aquisitivo ampliou o número de usuários e isso se reflete em crescimento das vendas, tanto para marcas globais, quanto locais. Na Europa e nos EUA, o boom foi nas décadas de 80 e 90, quando foram lançados mais de 1,5 mil produtos. Embora o mercado brasileiro não chegue nem perto dessa marca, pode-se comemorar seu amadurecimento: os lançamentos são pelo menos 10 vezes maiores do que nas décadas passadas.

Fonte: Freedom Comunicações

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